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Final alternativo de Shadow of the Tomb Raider tem carta de vilã clássica

20.9.18 Add Comment

Surgiu recentemente em um canal no youtube um vídeo exibindo um possível final alternativo para Shadow of the Tomb Raider. Na cena, podemos ver alguns detalhes diferentes dos vistos anteriormente e, também, uma carta especial... Assista (tem spoilers, claro):

Shadow of the Tomb Raider tem lançamento fraco no Reino Unido

17.9.18 Add Comment

Shadow of the Tomb Raider foi um dos games mais aguardados pelos fãs e também foi a maior aposta dos estúdios até então. Tanto investimento e muita procura só poderia resultar em sucesso de vendas, correto? Infelizmente, não é bem assim...

ANÁLISE #1: Shadow of the Tomb Raider (sem spoilers)

12.9.18 Add Comment

Visual: 9/10 | Áudio: 10/10 | Jogabilidade: 8/10 | Roteiro: 8/10
NOTA FINAL: 8,5/10

Prós:
Trama bem construída e ramificada / Grande beleza visual / Excelente trilha sonora /
Modo furtivo funcional / Foco na exploração

Contras:
Enredo comum / Combate ainda precisa ser melhorado / Modo de rapel nem sempre
funciona bem / Roteiro não trabalha personalidade de Lara Croft

O FIM DO INÍCIO


Há cinco anos atrás, uma das franquias de videogames de maior sucesso iniciava uma nova e ousada jornada. Sob o título Tomb Raider, o nono jogo da franquia principal recomeçava toda a história e apagava tudo aquilo que conhecíamos da famosa arqueóloga . Neste reinício, uma Lara Croft inexperiente precisa usar suas habilidades de sobrevivência em uma ilha mítica cheia de desafios, sendo levada ao limite de suas motivações. O resultado: um dos jogos mais premiados da franquia, se tornando um grande sucesso de público e crítica.

A sequência, Rise of the Tomb Raider, funciona como uma espécie de transição da Lara Croft inexperiente para uma protagonista mais madura e determinada (cega em suas vontades). Neste, é notável a melhoria dos gráficos e de sua jogabilidade - que se torna aqui mais completa. Porém, é de se perceber que segue-se os mesmos moldes de trama e mecânica de seu antecessor. No enredo, Lara fica obcecada em desvendar os maiores mitos da humanidade e numa corrida contra a organização Trindade, ela se vê dividida entre satisfazer suas próprias determinações ou impedir que a organização faça uso da imortalidade em questão.

O MAIOR JOGO DA FRANQUIA?

Para terminar esta trilogia de origem, foi-se mais além. Shadow of the Tomb Raider não só finaliza esta nova etapa da história de Lara Croft, como também serve para trazer um novo estilo à franquia. Ao contrário dos anteriores, a produtora Crystal Dynamics agora atua apenas como um meio de suporte, deixando que o desenvolvimento principal ficasse nas mãos da Eidos Montréal. Esta investiu fortemente no jogo, tornando-se o maior projeto da produtora até então.


O resultado é visível: temos aqui o maior e mais bem elaborado jogo da franquia. Enquanto que os outros dois focassem no combate, na história de origem da personagem e na sobrevivência, este vai muito mais além, focando na exploração e numa trama ramificada, que deverá culminar em uma decisão pessoal de quem Lara Croft deve se tornar. Possuindo os maiores hubs da franquia, é fácil se perder em tantos elementos passíveis de exploração, com missões e tumbas secundárias, relíquias e documentos interessantíssimos espalhados em todos os grandiosos cenários. Tudo isso, sem deixar de lado o crescimento interno da protagonista.

CONFLITOS INTERNOS E EXTERNOS

Afinal, quem é Lara Croft e o que suas experiências mortais a fizeram se tornar? Uma arqueóloga fria e calculista, que é capaz de fazer o que for preciso para atingir os seus objetivos? Em Shadow of the Tomb Raider essas perguntas são feitas à todo tempo. Existem conflitos internos nessa Lara, questionando-a sobre quem ela deveria se tornar. Enquanto que em Tomb Raider (2013) ela se vê como uma sobrevivente e em Rise of the Tomb Raider como uma pessoa focada em um só objetivo, neste ela tentar consertar alguns de seus erros, mas pende para o seu lado vingativo - ficando nessa montanha-russa de sentimentos e até de personalidade. Para que o público se simpatize com ela, conhecemos mais do seu passado e de sua problemática família (os momentos na Mansão Croft são bem especiais). Seu pai continua sendo o centro do desenrolar da história, num enredo que muito se assemelha ao do primeiro filme baseado nos games, Lara Croft: Tomb Raider (2001). Os diálogos estão mais maduros e centrados nos personagens, aproximando-nos também de Jonah - que aqui está ainda mais carismático.


É impossível deixar de mencionar o crescimento de Camilla Luddington (Lara Croft) como atriz. Neste jogo, ela está ainda mais expressiva e seus diálogos com seu amigo Jonah (Earl Baylon, que também se supera aqui) trazem pesos significativos em suas ações. É visível que a atriz se entregou de corpo e alma ao papel, dando vida à Lara Croft mais complexa da franquia (e, também, a mais feroz da trilogia). A versão brasileira infelizmente não chega no mesmo patamar, trazendo problemas de sincronia com o vídeo. Em alguns momentos o ritmo das falas não condizem com a cena, acabando com a emoção e o peso de alguns diálogos. Por esses problemas, a dica é jogar no áudio original, com legendas em nosso idioma (que foram muito bem traduzidas).


No desenrolar da jogatina, percebemos que não só a protagonista tem conflitos, mas a maioria dos personagens e cidades que conhecemos. A belíssima cidade oculta Paititi te leva à uma experiência única, repleta de segredos e missões secundárias, que ramificam o enredo e trazem aprofundamento da cultura e costumes locais. A grandiosidade da produção, então, fica exclusiva à esta cidade. Enquanto que a campanha principal é bem curta e outros cenários possuem locais limitados e bem lineares, a Cidade Oculta abriga grandes momentos do enredo e explora o máximo de seu elevado nível gráfico, transportando-nos em uma trama interessantíssima e nunca vista antes em toda a franquia.

GRÁFICOS MELHORAM, LARA CROFT É MODELO E NÓS FOTÓGRAFOS


Os gráficos de "Shadow" melhoraram desde Rise of the Tomb Raider, mas não espere uma melhora tão significativa. A diferença é que o novo jogo não só traz cenários grandiosos e minuciosamente elaborados, como também possui ambientes claustrofóbicos e bem escuros. Essa escuridão, aliás, pode incomodar em alguns pontos, onde fica bem difícil seguir jogando sem enxergar quase nada (a lanterna de Lara acende-se automaticamente e não manualmente pelo jogador - como acontece em Tomb Raider: Legend, por exemplo. A iluminação, de qualquer forma, é fabulosa, explorando ao máximo os contrastes da luz solar, do fogo se mexendo, das sombras e do reflexo em locais molhados.

Um dos recursos mais interessantes é o Modo Fotográfico (Photo Mode), que permite explorar e capturar momentos belíssimos durante o jogo. Nele, é possível movimentar o campo de visão, alterar a profundidade da imagem, adicionar filtros, mudar a expressão facial da Lara e vários outros recursos, que te darão a oportunidade de participar de um concurso feito pela produtora ou apenas guardar seus momentos preferidos.

VELHOS HÁBITOS RETORNAM E NOVOS SURGEM


A melhor decisão feita para o último capítulo desta trilogia é, sem dúvidas, sobre a configuração dos modos de dificuldade. É possível personalizar ao gosto do jogador o nível de dificuldade do combate, da exploração e dos enigmas (estes bem presentes neste capítulo). Pensando que, no modo de combate, o furtivo (existe uma gama de ataques muito maiores e extremamente divertidos) é o mais funcional, já que os momentos de ação e combate nesta trilogia nunca foram dos melhores, é interessante escolher deixá-lo no modo "fácil" ou "normal", focando-se mais no explorar e no desvendar dos enigmas. Neste modo, é muito fácil comparar aos jogos clássicos, o que por si só já é um grande ganho para os fãs de longa data.

Outra adição muito bem vinda é a do modo "rapel". Afinal, quem é que não gosta de descer numa corda e se balançar para atingir plataformas mais distantes? Quase ninguém, mas vale a lembrança... Desde muito antes, os fãs já estavam acostumados com a possibilidade de escalada com cordas, que ficou mais elaborada em Tomb Raider: Legend. Em Shadow of the Tomb Raider, porém, é visível que há muito o que melhorar neste quesito, já que em muitos momentos, a personagem não obedece os comandos do jogador, levado à morte certa.


Ambientes subaquáticos agora são maiores e apresentam ameaças reais. A furtividade também é explorada debaixo d'água, quando enfrentamos cardumes ferozes de piranhas, das quais é preciso se esconder para não ser devorado em instantes. A claustrofobia também é muito presente nestes cenários e trazem momentos extremamente tensos.

As habilidades de Lara Croft estão mais complexas e são atualizadas de muitas formas distintas. Somando pontos de experiência (XP), se obtém pontos de habilidades necessários para desabilitar novidades no combate e na exploração, como acontece nos anteriores. Mas não para por aí. Nos pontos de acampamento, é possível alterar a roupagem da Lara, cada qual com elementos que trazem melhorias nessas habilidades. Essas melhorias também são adquiridas em comerciantes espalhados pelos ambientes principais e também podem ser moldadas por nós mesmos, com elementos encontrados nos cenários.

ARTE PARA OS OLHOS, MÚSICA PARA OS OUVIDOS



Enquanto que o visual nos deixa admirados, os efeitos sonoros dão conta de nos transportar para dentro de seu ambiente. A trilha sonora, desta vez composta por Brian D'Oliveira, tem elementos tribais e batidas com uma energia tão intensa, que se ouvi-las posteriormente é impossível não se lembrar dos melhores momentos do jogo. São faixas que se encaixam perfeitamente ao enredo e merecem ser ovacionadas pela complexidade e regionalidade colocada em cada nota. As músicas regionais colocadas nos cenários do Peru foram muito bem escolhidas.

O MELHOR JOGO DA TRILOGIA?


Vemos aqui uma Lara Croft mais destemida, feroz e que acredita mais em seu potencial, possibilitando-nos um frescor de novos movimentos e habilidades para explorar e apresentando alguns dos momentos mais icônicos da franquia. Mesmo com um enredo já bem conhecido pela base de fãs, com um final fraco e um pouco decepcionante, a trama bem elaborada, suas pequenas histórias ramificadas, os grandiosos cenários e os vários elementos de exploração são essenciais para apresentar o maior jogo desta trilogia de origem e, não fosse o roteiro, possivelmente o melhor. Infelizmente, não vemos uma Lara Croft 100% decidida e sua personagem não é tão bem trabalhada quanto no primeiro reboot. A esperança de ver a velha arqueóloga futuramente deve ficar cada vez mais distante...

Jogo analisado na versão para Playstation 4, com cópia cedida pela Square Enix.